
Introdução aos Riscos de Procedimentos Estéticos
Os procedimentos estéticos têm se tornado cada vez mais populares entre os brasileiros, mas a utilização de substâncias permanentes, como o polimetilmetacrilato (PMMA) e o óleo mineral, levanta questões sérias sobre segurança e eficácia. O recente caso da influenciadora Juliana Oliveira, conhecida como Juju do Pix, reacendeu o debate sobre os perigos associados a esses materiais, especialmente quando utilizados em contextos não regulamentados.
A Realidade do Uso de PMMA e Óleo Mineral
O PMMA é um material classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como de alto risco para a saúde, sendo autorizado apenas para indicações corretivas específicas, e não para fins estéticos. Contudo, apesar das restrições, o uso off-label ainda é comum, especialmente devido ao seu custo inferior em comparação aos preenchedores reabsorvíveis.
Complicações Associadas
Sociedades médicas e conselhos profissionais têm relatado um aumento nas complicações associadas ao uso de PMMA em preenchimentos estéticos. Em 2025, o Conselho Federal de Medicina (CFM) solicitou à Anvisa a proibição do uso do PMMA como preenchedor estético, citando relatos de lesões graves, sequelas funcionais e até óbitos. As complicações podem incluir:
- Inflamação crônica
- Formação de granulomas
- Nódulos endurecidos
- Necrose tecidual
- Infecções de difícil controle
Desafios na Remoção de Substâncias Permanentes
A remoção cirúrgica de substâncias permanentes, como o PMMA e o óleo mineral, é um dos maiores desafios enfrentados por cirurgiões. A aderência do material à pele e a sua proximidade com nervos faciais e estruturas musculares tornam o processo complicado e arriscado. Essa complexidade pode resultar em cicatrizes e irregularidades residuais, impactando negativamente a autoestima do paciente.
Utilização de Ultrassonografia Facial
Considerando os riscos, muitos serviços especializados em harmonização facial estão incorporando a ultrassonografia facial como uma ferramenta de segurança. Este exame permite:
- Localizar áreas preenchidas
- Avaliar a profundidade e a extensão do material
- Analisar a relação com estruturas nobres
Com essas informações, os profissionais conseguem planejar intervenções mais seguras e eficazes, minimizando os riscos de novas complicações.
O Papel do Profissional na Harmonização Facial
O cirurgião bucomaxilofacial Dr. Fabio Barros, especialista em harmonização facial, enfatiza que não há justificativa para o uso de PMMA em procedimentos estéticos. Para ele, as complicações tardias são imprevisíveis e podem exigir cirurgias complexas. Por isso, pacientes com histórico de preenchimentos permanentes devem ser avaliados criteriosamente, e a ultrassonografia facial deve ser uma prática padrão antes de qualquer nova intervenção.
Alternativas Seguras
Dr. Barros defende a utilização de materiais reabsorvíveis, como o ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno, que têm registro regulatório e são considerados mais seguros. Esses produtos permitem ajustes graduais, reduzindo a exposição a complicações graves a longo prazo.
Conclusão: A Importância da Informação e Prevenção
A permanência de práticas não regulamentadas no mercado estético é uma preocupação crescente, e é fundamental que pacientes estejam cientes dos riscos envolvidos. No contexto atual, a comunicação clara e a educação sobre as opções disponíveis são essenciais para a segurança dos procedimentos estéticos.
Além disso, o lançamento do livro de Dr. Fabio Barros, intitulado “Quebrando tabus da harmonização facial: um manual para não cair em ciladas”, promete trazer informações valiosas sobre o tema, abordando complicações e a importância do diagnóstico por imagem na prevenção de novos casos. O debate sobre o uso de substâncias permanentes, como PMMA e óleo mineral, é vital para a proteção da saúde pública e a promoção de práticas seguras no setor de estética.
Fonte: Globo e outros.








